Abri a porta lentamente, enquanto carregava meu casaco e meus sapatos na mão. Boa noite príncipe encantado, sua cinderela está indo embora, antes que o conto de fadas termine. Não acorde do seu belo sono, continue dormindo, e não me peça pra ficar, não pertenço mais aqui. Ando por aí sem rumo, durmo em uma cama diferente toda noite, com um homem diferente cada dia, saio antes que o sol nasça. Morro todas as noites, nasço de novo pela manhã. Já caí uma vez, quando tinha 5 anos, quebrei meu queixo, aos 7, quebrei um braço, aos 12 uma perna, mas em todos esses anos, nunca quebrei meu coração. Não sou escrava de mim mesma, desse jeito decidi dar um prazo de validade para tudo, é por isso que meus amores duram uma noite. Não pertenço a ninguém, e ninguém pertence a mim. Sou filha do vento, é ele quem decide meu rumo, soprando ao meu ouvido em que esquina dobrar. Sou amante do sol, e deixo que seus raios me seduzam iluminando o principe que me acompanhará assim que o sol sumir. Sou irmã da lua, que me protege de mim mesma, e me acorda com seu ultimo brilho, avisando que é hora de ir embora. Antes de fechar a porta, olhei novamente para o cara na cama, que sem eu notar havia acordado, e me olhava sorrindo. Ele era meu melhor amigo, desde os 3 anos de idade, foi meu primeiro e único amor. Encontrei o três vezes desde que fui embora de casa, o destino estava brincando comigo, ele devia ter feito um trato com o vento, para que ele soprasse todas as esquinas em que estaria. Decide que depois de 17 anos, eu daria uma chance com tempo determinado. Ele sabia o quanto duraria, e aceitou. Hesitei antes de fechar a porta, e pensei em voltar para a cama ao seu lado, quando fui tomada pela minha realidade: Meu nome é ninguém, moro na rua em lugar nenhum, na casa que não existe. Sou feroz, não vivo em cativeiro, vivo em todo lugar, vivo em lugar nenhum. Sorri, e fechei a porta.
segunda-feira, 26 de abril de 2010
Untitled.
Estou pensando, as palavras fogem-me quando tento colocá-las no papel, então simplesmente escrevo, sem esperar que faça sentido algum para alguém, porque sou incrível, quanto mais falo, e mais me ouço falar, menos entendo o que estou dizendo. Não quero pensar, só quero escrever, e deixar que continuem falando, não estou pensando, não vou pensar, chega de tentar, não escondo nada disso, sou tudo e não sou nada, não sei de nada, mas só estou dizendo, porque não faz sentido algum. Quero dormir, fugir daqui, e não acordar, só quero ir pra lá, pro lugar onde eu pertenço, procurar por algo impossível que sacie minha sede insaciável, que me dê às respostas que ninguém mais saberia dar. Quem são vocês ? Quem sou eu ? Eu sou eu, não sei quem sou não faço idéia de quem seja e ninguém me conhece melhor do que eu. Estou perdendo a razão, só quero falar falar falar e falar, nada de pensar, não hoje, senão a realidade me tomara, e me destruirá, porque ninguém vive um sonho. Sou um sonho! Estou toda errada, sei o que é certo, mas não quero, só não quero agora. Nesse momento quero falar, escrever e esperar que quando eu termine faça algum sentido, ou não faça sentido nenhum, na verdade não estou esperando, só continuo escrevendo, porque isso é tudo que sai de mim quando estou em silencio. Sou um barulho ensurdecedor! Meus braços doem, meus dedos doem, mas não quero parar, só quero escrever, talvez eu nem leia, ou talvez leia, e me perca de novo, entre os i’s e e’s e acento e vírgulas, ignoro os pontos finais, eles me dão medo, me aterrorizam mais que qualquer coisa. E esta quente aqui, e preciso parar, mas não quero, mas tenho, mas não quero, mas vou. Parei.
Assinar:
Comentários (Atom)

