quinta-feira, 19 de julho de 2012

Happiness.




Acabei adormecendo ao lado do celular, esperando que ele ligasse novamente dizendo que não dormiria sem o escutar meu “eu te amo.” Não sei muito bem como nomear isso, essa persistência em continuar acreditando que ele vai ligar, mesmo que nunca faça isso, mesmo sendo eu quem sempre retorna a ligação. “Não vai dormir agora, eu to triste, conversa comigo.” Ninguém deveria pedir essas coisas, não é? Mas não se deveria porque tá errado ou simplesmente porque ninguém nunca deveria desligar o telefone sabendo que a pessoa do outro lado da linha não se encontra em um de seus melhores dias.
Embora eu tenha ligado depois, não consegui ficar alegre, mesmo que ele cantarolasse minhas músicas preferidas e me contasse as piadas que costumava compartilhar com os amigos quando eram crianças. Durante as 3 horas de conversa, gargalhei, sorri imaginando suas caras quando contava algum acontecimento, e respondi com toda a sinceridade cada pequena declaração em meio à troca de assuntos. Desliguei o telefone lá pelas 5 horas da manhã, e mesmo que seu “eu te amo” tenha sido a última coisa que escutei, não foi a primeira que passou pela minha cabeça ao colocar o celular na cabeceira ao lado da cama.
Me pergunto se estou exagerando em ficar triste por ser sempre quem liga depois de uma briga, por conseguir deixar 47 ligações perdidas e 28 mensagens na sua caixa postal, “Por favor, eu sei que você tá ouvindo, amor, me liga, não quero brigar, eu amo você” e receber em troca duas ligações perdidas e aquele sms “me liga quando der.” Talvez eu seja muito dramática, e dramatize tudo. Mas não é disso que amor também é feito? De exageros? Bater na porta da casa dele às 4 da manhã dizendo que não conseguiria dormir brigada com ele. “Vamos conversar, ou não, vamos só dormir juntinhos, sei que amanhã acordaremos bem”. Ele te recebe com todo carinho, por vezes até lisonjeado com seus atos exagerados e desesperados.  E no dia seguinte acordar com ele te enchendo de beijinhos sem se importar com seu halito matinal, cochichando no seu ouvido que acordou louco de vontade de fazer amor com você. E você mesmo com sono não nega, como negaria aquele homem lindo com rostinho de menino sapeca que acabou de acordar e tudo que quer é você? Não negaria. Não nega nunca. Tudo que você quer é ele também, seja às 2 da tarde de uma terça-feira monótona coberta de saudades, ou no domingo de manhã, sem escovar os dentes ou pentear os cabelos, e pra quê todas essas regalias pra fazer amor? Vocês irão terminar suados e descabelados de qualquer jeito. Ah, fazer amor de manhã, não consigo pensar em forma melhor de começar o dia. E de repente, porque é que brigaram ontem a noite mesmo? Nem me lembro mais, tudo isso foi apagado da memória pra dar espaços pras gravações do seu rosto estampado de prazer. E tudo é bom de novo, aquele fim de noite destrutivo foi liquidado, porque afinal, você foi acordada com um cheirinho no pescoço, e alguns minutos depois estava perdida no corpo dele que você conhece milimetricamente, e isso é tudo que importa. Eu sei. Ele sabe. Você também sabe. Mas afinal, isso tudo teria acontecido se você não tivesse batido na porta dele às 4 da manhã? Quem sabe.