terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Stop stealling my heart away.


   Aquela foi a primeira vez. Em 17 anos da minha vida, eu finalmente experimentei, digamos, o fracasso. Durante todo esse tempo nunca houve nada que eu realmente quisesse e não tivesse conseguido. Nunca. Essa foi a primeira vez.
   Toda vez que eu precisava ficar sozinha vinha pro galpão da minha casa, tinha os velhos discos do meu pai, algumas peças de carro, fotos antigas, a cadeira quebrada de balanço do vovô, e era quieto, calmo, silencioso. Quando eu tinha cinco anos comecei a fugir pra cá toda vez que eu queria ficar sozinha, trazia bonecas e passava o resto do dia brincando ou mexendo nas coisas do meu pai. Uns dez anos depois eu troquei a cadeira quebrada por um sofá confortável, e trouxe os meus CDs e um radio portátil, assim eu poderia passar o dia inteiro aqui, às vezes nem saia. Não era o ambiente mais moderno de todos, mas eu me sentia incrivelmente confortável, como não me sentia em nenhum outro lugar.
  Acendi meu cigarro, aumentei o volume da música e apaguei a luz deixando somente o raio de sol, que passava pela janela, clarear o resto da sala. Deitei no sofá e fechei os olhos, tragando meu cigarro e deixando todos os acontecimentos do ultimo mês passarem pela minha cabeça. Eu prometi que essa seria a ultima vez que eu pensaria nele, sobre ele, qualquer coisa que tivesse a ver com ele. E no mesmo segundo que ele invadiu minha mente, ouvi alguém batendo na porta. Devia ser a Karina, ela era a única que conhecia esse lugar. Me levantei contra minha vontade, e fui ate a porta, abrindo-a e me surpreendendo com quem era.
- Oi. - Ele sorriu meio encabulado.
- O que você ta fazendo aqui?
- Sempre receptiva. Não vai me convidar pra entrar? -Ele perguntou e eu me afastei dando espaço pra que ele entrasse. Fechei a porta em seguida. Ele se sentou no sofá e eu me sentei ao lado dele de forma que ficássemos de frente um pro outro, cruzei as pernas e ele fez o mesmo. Traguei meu cigarro sem quebrarmos o contato visual.
- Não sabia que você fumava.
- Não fumo. E você não sabe muitas coisas sobre mim.
- Nem você sobre mim.
- Eu sei disso. Essa é a diferença. Você acha que me conhece, já eu tenho plena certeza que não conheço você.
- O que você quer de mim? -A pergunta dele foi inesperada, mas não me surpreendeu.
- Você veio até aqui, você me diz o que você quer.
- Mas foi você quem me procurou a primeira vez, então me deve essa resposta.
- Não sei.
- Essa é sua resposta?
- É a única que eu tenho. -Ficamos em silencio por um breve segundo e eu continuei com a única coisa que me veio à cabeça:
- E você, o que quer?
- Esse lugar é escuro. Não tem luz? -E ele respondeu com a primeira coisa que lhe veio à cabeça provavelmente, mas não devia ter sido a única.
- Eu gosto assim.
- Você é estranha.
- É, você já disse isso.
  Ficamos em silencio de novo. Todas as vezes que conversamos, eu falava algo, mesmo que quisesse ficar em silencio, dessa vez eu iria me permitir calar. Ele que falasse se tivesse algo a dizer. Permaneci sem dizer nada apenas tragando meu cigarro e o observando, enquanto ele ora olhava pelo local, e ora olhava pra mim, fazia perguntas banais e eu respondia curtamente. Enquanto ele estava ali, parado na minha frente, tentei terminar de analisá-lo, todas as teorias que eu tinha sobre ele, todas as noites que eu perdi tentando entende-lo, alguma coisa que me explicasse porque eu o queria, e de onde diabos isso tinha surgido. Nenhuma das noites perdidas me ajudaria em nada agora, porque eu simplesmente tinha me dado conta que havia chegado o fim, e o mais incrível era que nada nunca começou. Pode uma coisa terminar antes mesmo de começar? Parecia que sim, mas começando ou não, terminando ou não, eu achei que iria doer pra sempre, talvez não pra sempre, mas por um bom tempo. Eu espero que não, espero que passe logo, não queria gastar mais um minuto do meu dia, mais uma gota de lagrima com ele. Eu sei que fui ate onde pude, e teria ido mais longe, mas chega uma hora que você bate de frente com a pessoa. Não se pode ir além do que permitem que você vá. E ele me barrou antes mesmo de me deixar entrar. As pessoas normalmente fazem isso por medo, mas eu só conseguia pensar que ele não se importava. E prometi pra mim mesma desde o começo que não esperaria nada, que não criaria expectativas, e eu juro que não criei, talvez por isso eu ainda esteja inteira. Mas doía. Dói. Às vezes o que não acontece dói mais do que o que aconteceu. Eu não estava esperando, mas isso não permitiu que não machucasse. Mas eu tinha de parar. Eu precisava parar agora ou aquilo ia me matar. Eu sempre acreditei que a gente não pode desistir das coisas que desejamos. Mas o segredo não ta na persistência e sim na tentativa. Você me entende? Digo, as coisas que tem de acontecer irão acontecer. Você pode tentar, e se você conseguiu, não é porque você não desistiu e sim porque tinha que acontecer, tentar só era o caminho mais curto. Mas tem coisas que não são pra ser, e se você ficar com a idéia de não desistir na cabeça, você só vai se machucar, porque você vai insistir em alguma coisa que nunca vai acontecer. E assim como algumas coisas são pra ser, outras não são. Então você tem que saber à hora de lutar, mas também tem que saber à hora de parar. O importante é fazer a sua parte e esperar que o destino faça a dele. Uma vez eu li uma frase que dizia ‘’O que tem que ser tem muita força.’’ E essa é a mais pura verdade.
  Levantei do sofá e fui em direção a porta, abri e quando dei o primeiro passo pra fora, parei. Joguei meu cigarro no chão e respirando fundo voltei e fui em direção a ele que estava de pé pronto pra perguntar algo quando o silenciei com um beijo. Apenas um toque dos lábios durante alguns segundos, e antes dele reagir eu me distanciei, dando as costas pra ele e indo em direção a porta novamente.
- Aonde você vai?
- Embora.
- Como assim, por quê?
- Porque você não me pediu pra ficar.
  E então sai, andando em passos apressados sem direção. Eu não ia voltar aquele galpão por um bom tempo, alias, pelo tempo em que fosse necessário pra que eu esquecesse que um dia ele esteve lá. Talvez demorasse, talvez não. Eu só sabia que não voltaria até ele sumir, de lá e de mim. Continuei fazendo algo que eu sempre fiz: caminhar sem rumo, pra lugar nenhum. 

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Chão de giz.

                    

Engoli em seco e respirei fundo tomando mais um gole de vodka pura que descia pela minha garganta como se anestesiasse todo o resto do meu corpo. Talvez meu coração parasse assim e o motivo de minha morte fosse excesso de álcool, e não ela. Ouvi passos de seu fino salto alto se aproximando da porta, o som da chave rodando na fechadura e a porta se abrindo, e fechando em seguida. Seu perfume invadiu o quarto no mesmo instante, me deixando extasiado e nostálgico. Eu ainda nem fora e já sentia saudades dela. Tomei mais um gole da bebida em minhas mãos e me virei para encará-la que delicadamente colocava seu casaco no criado mudo do motel. Ela sorriu quando notou que eu a olhava. Sorriso lindo e manipulador, que dizia exatamente tudo que você precisa saber sobre essa mulher: ela não precisa de ninguém.
- Você não acha que anda bebendo demais?
- Eu posso, logo beberei o quanto quiser. -Respondi seco e ela parou de sorrir, surpresa com a minha acidez.
Hoje eu não me forçaria a ser gentil, hoje eu não me forçaria a nada senão odiá-La e deixá-la. Seria a ultima vez, depois de tantas tentativas fracassadas de ir embora. Ela não precisava de mim, nem ao menos gostava de mim. Não queria nada senão seu prazer de algumas horas para livrá-la de seu casamento fracassado e sua vida vazia. E ela me usava pra isso, apesar de ter consciência de que para mim nunca fora só sexo, sempre fora muito mais. Mas ela não se importava, e eu deixava que ela me prendesse, me encurralasse, me usasse e me jogasse. Eu a odiava por isso, mas esquecia tudo quando sentia seu gosto viciante. Sem que eu percebesse ela estava bem a minha frente com uma de suas mãos em meu braço. Ela não discutiria comigo, sobre nada, ela viria pra uma só coisa, se divertia e depois ia embora, como foi desde que nos conhecemos no carnaval do ano passado. Eu me lembro exatamente quando a vi pela primeira vez, posando para um fotografo ao lado de seus amigos e marido, pessoas importantes da alta sociedade, e eu no meio daquela multidão, um garoto perrapado com provavelmente metade da sua idade. Não sei como aconteceu, mas naquela mesma noite terminamos em um quarto de motel, e quando acordei já havia ido embora. E era assim todas as vezes que nos encontrávamos. Era ela que ia embora, ela me tinha quando quisesse e onde quisesse, como se houvesse acorrentado-me em seu calcanhar, as correntes eram grossas e inquebráveis e me sufocavam até o pescoço. Me tirando o fôlego, a razão, a lucidez, perdi toda minha sanidade quando a deixei entrar na minha vida. E hoje eu a perderia, hoje eu a deixaria.
- O que aconteceu?
- Você destruiu a minha vida. - Sorri amargo ao respondê-La e mais uma vez ela se surpreendeu, e antes que tentasse responder eu larguei a garrafa de vodka e a beijei. Eu iria fazer o que vim fazer. Dizer adeus.
Guiei-nos até a cama, e tive minha dose de loucura e paixão. Loucura e paixão? Deveria ser uma palavra só, afinal, eram bem mais que sinônimos.
Dessa vez eu não dormi, não conseguiria. Antes que o sol nascesse levantei-me da cama e fui até a janela fumar um cigarro, ela sempre fazia isso antes de ir embora. Vesti minhas roupas e coloquei o celular, que ela havia me dado para que me ligasse quando precisasse, em cima do criado mudo, ao lado de seu casaco. Aquele era nosso único meio de contato e ela entenderia o que eu queria dizer deixando-o lá. Verifiquei a passagem de avião que me levaria para outra cidade, o vôo sairia daqui à uma hora, tempo suficiente para que eu chegasse ao aeroporto. Apaguei meu cigarro e me ajoelhei ao lado dela que continuava adormecida, contemplei seu rosto pela ultima vez, e a frase que eu havia dito mais cedo voltou a minha cabeça ‘’você destruiu a minha vida’’. Ela havia acabado com tudo que restou da minha juventude, porque eu sabia que mudar de cidade não seria o suficiente para esquecê-la. Seu cheiro, seu toque, seu sorriso, seu gosto, tudo dela estava impregnado em mim, na minha pele. Por dentro e por fora. Eu só queria que ela me amasse também, que me quisesse, que precisasse de mim, eu deveria enforca - lá agora, eu deveria me enforcar agora, talvez assim ela sumisse de mim, talvez seu fantasma não me assombrasse por onde quer que eu fosse. Talvez. Talvez eu nunca a esquecesse. Talvez esquecesse logo. Mas eu iria embora, e não voltaria nunca mais. Nesse momento eu quis nunca ter a conhecido, mas era tarde demais, toda minha juventude e vivacidade ficou presa naquele quarto, junto a mulher deitada na cama, e tudo que restou foi o barulho da porta se fechando
‘’Eu desço dessa solidão, espalho coisas sobre um chão de giz. Há meros devaneios tolos a me torturar, fotografias recortadas em jornais de folhas, amiúde. Eu vou te jogar num pano de guardar confetes, eu vou te jogar num pano de guardar confetes. Disparo balas de canhão é inútil, pois existe um grão-vizir. Há tantas violetas velhas sem um colibri. Queria usar quem sabe uma camisa de força, ou de Vênus. Mas não vou gozar de nós apenas um cigarro, nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom. Agora pego um caminhão na lona vou a nocaute outra vez. Pra sempre fui acorrentado no seu calcanhar. Meus vinte anos de boy, that's over, baby. Freud explica. Não vou me sujar fumando apenas um cigarro, nem vou lhe beijar gastando assim o meu batom. Quanto ao pano dos confetes já passou meu carnaval. E isso explica porque o sexo é assunto popular. No mais estou indo embora, no mais estou indo embora, no mais estou indo embora. No mais.’’

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Hole in my soul.

Pegue um lápis e um papel. Apague as luzes, mas deixe algum abajur aceso, pois você precisa anotar essa história.
- Jane, o que eu escrevo?
- Eu não sei Lola, faz como você sempre faz, só escreve.
- Não consigo amiga. As ultimas vezes que eu tentei, só consegui rabiscar as folhas.
- Ta. - Jane pegou o caderno e o lápis da minha mão. - Me diz as primeiras palavras que vem na sua cabeça. Não pensa, só diz.
- Saudades. Hmm, dúvida, e tem mais uma, mas eu não sei nomea-la, nem descrevê-la.
-Tente. - Ela sorriu me encorajando.
-Sabe quando você liga a TV e o fio está mal conectado deixando a imagem ruim? - Ela afirmou com a cabeça. - Então você simplesmente não consegue entender nada do eles estão fazendo ou falando no programa, e isso te irrita profundamente, nessa hora você vai até a televisão e tenta ajeitá-la mexendo no cabo de todas as formas, mas percebe que ele ta se soltando, está gasto, e não falta muito pra que ele rasgue então você se pergunta o que aconteceu, porque não faz muito tempo que você o comprou e ele estava tão novo, tão forte, como pode estar assim? Mas isso não importa, porque o fio esta se partindo, e agora não há mais imagem nenhuma, apenas o som alto da TV, aquele ruído perturbador, e tudo que você quer é desligá-la, mas você não pode, porque isso seria aceitar que não há mais volta, que terá que comprar um novo, e jogar aquele no lixo. Não, isso não. Não aquele que você achou que ia durar pra sempre, que ia ficar sempre firme e forte ali. Desculpe mesmo, mas você estava enganada. Eu estava enganada, o fio se partiu, e a TV saiu do ar. Como aconteceu com todos os anteriores, e provavelmente acontecerá com os futuros, a diferença é que alguns duram mais, outros duram menos. Tanto faz, realmente não importa, porque quando você desiste, joga o cabo fora e desliga a TV, parece que o barulho continua em algum lugar dentro de você. Aquele barulho de fora do ar. Acontece que esse barulho continuará, porque quem está fora do ar não é a TV. É você. Sou eu.
Então me diga adeus agora, pois precisa de muito mais que bom contato pra me trazer de volta. Na verdade precisa do contato em si. Sabe do que falo? Pele com pele, cheiro com cheiro, gosto com gosto. Enquanto não se tem isso, ficarei fora do ar, prefiro permanecer assim, sem ouvir ou ver nada, do que passar dias e dias frente à TV vendo cenas de algo que poderia ser e não foi. Chega de pensar, chega de imaginar, chega de chorar. Enquanto não posso, enquanto tiver que esperar, viverei isso aqui, o mau contato, o fora do ar, o barulho, até que tudo se apague, tudo se cale, e sua luz volte pra mim.
- Escrevi tudo no papel, quer terminar? -Jane me ofereceu o papel onde havia acabado de anotar tudo que eu falei. E como se fosse uma carta, que jamais seria entregue, eu assinei o nome dele: Cinco letras, com amor.
''Yeah there's a hole in my soul but one thing I've learned for every love letter written there's another burned. So you tell me how it's gonna be this time.''

sábado, 3 de julho de 2010

Better luck next time.


Engraçado como a mente e o coração podem pregar umas peças na gente, e nos fazer pensar e sentir coisas que jamais poderiam ser explicadas. Eu fui em uma festa no ano passado e conheci um garoto. Ele era engraçado, e divertido, quando sorriu pra mim, eu guardei aquele sorriso não sei porquê, na verdade eu já o conhecia, tínhamos uns amigos em comum, mas nada demais. Não sou a pessoa mais experiente no departamento homem, se é que você me entende, então quando ele tentou ficar comigo, eu não notei. Digo, que menino joga água em você e te faz correr atrás dele ? É, ele fez isso. E sim, eu corri. Ele pulou na piscina, e eu parei na beira da mesma, foi quando ele pediu pra eu me aproximar, e bem, eu me aproximei e joguei água na cara dele. Ah qual é, ele tinha me molhado, você teria feito o mesmo. Eu só fiquei sabendo por uma amiga minha, que estava vendo a cena, que na hora em que ele pediu para eu me aproximar, era porque ele iria me beijar. Depois de saber isso, eu só não me joguei da janela por pouco, muito pouco. O que me consolou foi que eu não teria ficado com ele de qualquer jeito, havia outros motivos que me impediam, uns bem maiores do que o fato dele ter me molhado. Enfim, depois daquele dia, cresceu em mim um sentimento que eu não saberia explicar. Não sei explicar até hoje. Eu passei a desejar aquele garoto a cada dia mais, até que só desejar se tornou muito pouco, então resolvi me aproximar dele. E fiz isso, apesar de não saber até hoje se foi uma boa ou uma má idéia. O que estou lhe falando, é que se você acha que algumas pessoas não podem falar coisas suficientemente ruins para que outras pensem em se afastar de você, se você não for o melhor exemplo a ser seguido claro, então você está muito enganado. E eu ouvi tanta coisa ruim sobre ele, que faria a pessoa mais apaixonada do mundo ficar com tanto medo que a única solução seria se afastar. Não que eu estivesse apaixonada, e nem que isso tenha sido o suficiente pra que eu me afastasse. Porque eu não me afastei. Pra ser bem honesta isso me fez o querer mais. Não saberia explicar o motivo, ou talvez saiba: puro masoquismo. De qualquer modo, eu fiz o maximo que pude pra me aproximar, e consegui de certa forma. Digo, ele é fácil de se conversar, e eu teria me saído bem se... se eu não fosse eu. É, isso mesmo. Vou lhe explicar, eu converso com ele faz alguns meses, e modéstia parte, eu sou a pessoa mais perceptiva que você irá conhecer na sua vida, poderia até ser vidente já que nunca errei nenhuma ''previsão'' sobre algum acontecimento, ou alguma pessoa.Tá, ok descarte essa idéia de vidente. O que estou tentando dizer é que, nas poucas vezes que conversamos, eu poderia descrevê-lo de forma que eu estivesse certa na maioria das coisas a respeito dele. Porque apesar de todas as coisas ruins que me falaram sobre ele, e certa parte era realmente verdade, eu o entendia. Sim, eu o entendia porque simplesmente ele era muito, muito parecido com alguém que eu conheço: eu mesma. Certo, não tão parecido assim. Eu poderia dizer que sua personalidade e caráter eram exatamente como os meus. Quanto a opiniões, eramos total e completamente diferentes. Se você tem algum amigo que é tão parecido e tão diferente de você, sabe do que estou falando. O fato é que ser parecido demais com alguém, trás uns problemas bem grandes, principalmente quando ambos tem personalidades fortes e opiniões distintas, como eu e ele. E por discordarmos tanto, apesar de não termos a intimidade necessária, nós discutíamos bastante. E céus, não haveria ninguém entre o céu e o inferno que me deixasse tão irritada quanto ele conseguia deixar. Sem mencionar que ele gostava de me deixar irritada, tanto quanto eu gostava de irritá-lo. O que mais eu poderia dizer ? Aquele garoto mexia comigo. Mexia de um jeito que eu jamais saberia explicar, que eu jamais senti antes. Mexia comigo de uma forma tão forte que o meu desejo de tê-lo aumentava mais e mais. Aumentou tanto que eu não estava mais sendo racional sobre ele. Estou dizendo sobre ele possuir uns defeitos que eu não aceitava nem na minha melhor amiga, mas ignorava nele, porque raios, eu o queria acima disso. Acima também, dele ter me tratado tão indiferente certas vezes, e até me machucado, mesmo que ele não saiba disso. E isso nem de longe foi suficiente pra me fazer desistir dele. Agora você pode me perguntar, o que diabos eu via nesse garoto ? Eu sinceramente responderia: Não faço a mínima idéia. Eu só sabia que o queria. Não, eu não estava apaixonada por ele, mas também não era só uma atração. Era algo entre atração e paixão, e que me fazia sonhar com ele, constantemente. Eu só não entendo o porquê. Afinal, hoje eu posso dizer que desisti dele. E não sinto muito por ter desistido, eu fui muito além do meu limite por alguém que eu mal conheço. É só que, me entenda. Porque insistir em alguém que você sabe que não faz o mesmo por você, e pior, nem te deixa tentar? Tenho algumas especulações sobre a razão dele não ter me deixado tentar. Uma delas é a que a minha amiga acredita, talvez ele tivesse notado que eu realmente estava tentando, e ele não queria nenhum envolvimento do tipo, porque ele tinha medo disso. Agora você me pergunta, medo do que ? Bom, digamos que ele teve a infelicidade de conhecer algumas mulheres podres que o fizeram pensar que todas as outras são assim. Talvez também porque ele pensava que eu fosse igual as minhas amigas, que convenhamos ele não é muito fã delas, e que eu queria dele somente uns amassos e depois de conseguir, perderia meu tempo falando mal dele para o resto do mundo, o que é um absurdo porque eu o defendi várias vezes quando tive oportunidade, e defendo até hoje. Não que eu quisesse alguma coisa a mais que uns amassos, mas também não queria só isso. Eu queria me aproximar dele, conhecê-lo de verdade, eu poderia até dizer que gostaria de me tornar amiga dele, se eu também não me sentisse estupidamente atraída por ele. Além dessas duas idéias que passaram pela cabeça, veio mais uma a qual eu acreditava: Ele simplesmente não estava afim. Só isso. Simples! E eu desisti por isso. Afinal, se quando um não quer dois não brigam, isso também significa que se um não quer dois não ficam. É. Eu só gostaria de terminar deixando dois conselhos. Primeiro conselho: Ninguém conhece realmente alguém. Então nunca, nunca mesmo, escute bem, NUNCA deixe se influenciar pela opinião dos outros a respeito de outras pessoas. Claro que em poucas vezes a pessoa pode realmente conhecer a outra e dar conselhos justos sobre a mesma, mas isso não quer dizer que todos são assim. E nessa parte que entra o segundo conselho: Percepção. Tudo se resume a isso: percepção. Fale menos, e escute mais. Observe com que tipo de pessoa você está lidando, ouça o que ela diz sobre ela mesmo e sobre os outros, veja como ela age, sobre o que os verdadeiros amigos dessa pessoa dizem sobre ela. Mas antes de tudo isso, tenha sagacidade em entender que o que uma pessoa fala nem sempre é o que ela diz. Leia nas entrelinhas. É, eu sei que é nessa parte que todo mundo erra. Afinal, nunca podemos ter certeza se a pessoa é o que ela aparenta ser ou não. Mas você quer saber ? Se arrisque. Se você deseja se aproximar de alguém não importa de que maneira, simplesmente arrisque-se. Afinal, como esse garoto me disse uma vez: ''Às vezes quanto mais difícil a conquista, melhor a recompensa.'' V.

domingo, 6 de junho de 2010

Dance all night.


Quando eu tinha 15 anos, conheci um garoto enquanto caminhava a noite pela praia. Sentei na areia fofa e algumas ondas insistiam em bater nos meus pés. De repente ele se aproximou, e sentou ao meu lado. Eu não queria ficar sozinha, queria conversar com alguém, porque a vida estava me deixando muito sem fôlego pra aguentar os próximos dias sem que eu tivesse um pouco de paz interior. Nos cumprimentamos e começamos a conversar, senti-me com ele livremente a vontade para falar sobre tudo, e ele sentia-a se da mesma forma, pois confessamos um ao outro coisas que jamais dissermos a ninguém. Em sua postura de menino, falava como um homem, e foi ali, naquele dia que eu realmente descobri como é conversar com um homem de verdade. E me sentir mulher. Surpreendendo a mim mesma que achava já ter crescido a tanto tempo, aprendi em uma noite o que não aprendi a vida inteira. Não foi em uma primeira festa, nem com um primeiro namorado que descobri o que de verdade é ser mulher. Foi naquela noite, conversando com alguém que eu nunca tinha visto antes, e nunca mais veria, que senti a essência do ser feminino. Dizem que muitas vezes nos tornamos cegas por algum homem, mas é uma grande mentira. Somos grandes crianças, meninas frágeis brincando de ser mulher, e só descobrimos nossa farsa quando encontramos um homem que nos desperte a mulher dentro de nós. As coisas fluem como dois corpos feitos um para o outro entrelaçados na dança infinita, em que a música é o som que o seu coração faz quando está em êxtase. Dois corpos possuem em si semelhanças que você não consegue enxergar até fechar os olhos. Só existe uma verdade, e você a encontra quando para de procurá-la. Paixão, doçura, carinho, atenciosidade, delicadeza e amor. Amor em todas suas formas e cores. Amor, quando seu corpo floresce. Amor quando sua alma finalmente acorda e encontra uma sabedoria que você jamais acreditou existir. Talvez você só se sinta assim uma vez em toda sua vida. E talvez uma única vez, é tudo que você precisa. Mas você irá sentir falta quando partir. Quando somos carne, estamos cheios de defeitos, nossos olhos perdem a visão transcendente. Oh, aquele garoto me fez transcender aquela noite. E cada coisa que ele dizia, era como uma faísca reascendendo em mim. Explodindo. E eu nunca me senti assim, mas, ainda éramos apenas dois estranhos e aquele momento era tudo que tínhamos. Ele tocou me mais profundo do que qualquer um conseguiu chegar, tocou minha alma. E eu sorri, sem nem mexer os lábios. Ouvi o doce som de sua risada sem que ele emitisse som algum. Tão doce. Tão lindo. Tão homem. Queria pedir para nos vermos de novo. Mas isso poderia estragar a magia do desconhecido, de não saber o que viria depois. Ouvindo o som musical de sua voz, encontrei a paz que eu tanto procurava. O tempo foi passando e eu adormeci na areia, acordei quando o sol começou a nascer, e notei que estava sozinha. Havia sido um sonho ? Talvez. Mais parecia ele um anjo de tão divido e encantador. Então recordei me de toda nossa conversa. Ele era real. Ele foi quem despertou minha alma. A primeira pessoa que eu não só vi. Enxerguei.  Sim, ele é real, e está em algum lugar por ai, mas eu nem ao menos sabia seu nome. Queria encontrá-lo. Queria me sentir como ontem a noite. Mas ele se fora. Deixando uma fagulha esperando pra ser acendida, e por fogo em todo meu ser, que grita por chamas. Talvez eu o encontrasse novamente. Talvez não. Mas eu queria voltar no tempo e dizer que eu me apaixonei por ele em uma noite, o que em uma vida inteira eu jamais me apaixonei. 
Dedicado, Robert ♥

terça-feira, 18 de maio de 2010

Just say yes.


‘’ Dei dois passos pra trás enquanto meus olhos o procuravam desesperadamente. Ouvi alguns sons indescritíveis, e talvez algumas imagens antes de tudo perder-se. Não havia mais ninguém, e sou nenhum,  tudo apagou se diante de algo maior. E o vi. O tempo devia estar passando mais devagar, porque nada parecia comum. Como se os planetas tivessem finalmente se alinhado. E quando ele sorriu para mim, descobri que mesmo sem saber, era aquele momento pelo qual eu estive esperando a vida toda.  Eu o reencontrei. ‘’    Acordei em minha cama com os primeiros raios de sol entrando pela janela aberta ao lado do meu quadro da minha cidade dos sonhos.  Levantei e fui até a janela,  onde sentei ainda sonolenta. Fechei os olhos vagando no tempo, a mais ou menos um ano atrás, quando tudo começou. Lembrei me de todos eles, dos meus amigos, da minha família, e de como a minha vida costumava ser. Descobri que as pessoas estão certas quando dizer que os olhos são a janela da alma, mas eles esqueceram de dizer, que o sorriso é o verdadeiro convite para afundar-se nela, que só há um convite para cada pessoa, e ela aprenderá sobre alguns mistérios que a vida vem tentando te fazer desistir de compreender.  E talvez, talvez mesmo, existe uma razão para tudo, não importa de que lado você esta olhando, a razão é só uma, a verdade é sempre a mesma, porque tudo tem uma razão pra ser. O acaso é uma grande ilusão criada pelas covardes que simplesmente aceitam a dúvida, com medo de passar a vida inteira procurando uma resposta pra tudo sabendo que essa busca é tão inútil e desgastante que o resultado é o fracasso na certa. Mal sabem eles da verdade. Ouvi o canto dos primeiros pássaros da manhã, e abri os olhos. Se você quer realmente saber, então lá vai: corra, corra o mais rápido que puder. Fuja, fuja o mais longe que der. Mas não importa onde esteja, e nem o quanto se esconda, o amor vai te encontrar. Mesmo que você não esteja procurando, mesmo que não esteja precisando, mesmo até que você não acredite nele, nenhum lugar é longe demais, e sim, ele irá te encontrar. Encontra todos nós.  Em algum dia, eu cheguei a acreditar que a vida era muito fácil, mas ela está aí pra te surpreender o tempo todo. Eu, em toda minha natureza de nunca desistir, também preciso de forças para enfrentar tudo e qualquer coisa que me faça pensar em parar de lutar por falta de esperança na vitória. E eu sei onde se encontra a fonte da minha fortaleza. Então fechei os olhos novamente, a procura das lembranças de minutos atrás. Aquelas memórias meio borradas de quando minha alma junto a dele tornou-se uma. De quando você encontra o caminho de volta ao lar. Lar!  ‘Eu posso sentir seu coração batendo através da minha camisa, isso é tudo que eu quero, é tudo que eu quero, apenas diga sim, diga que não há nada te impedindo, isso não é nenhum teste, nenhum truque da mente, só amor, apenas diga sim, porque eu estou sentindo falta, e eu sei que você também, do toque da sua pele quente enquanto eu sinto seu cheiro.’’

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Misguided ghosts.


Abri a porta lentamente, enquanto carregava meu casaco e meus sapatos na mão. Boa noite príncipe encantado, sua cinderela está indo embora, antes que o conto de fadas termine. Não acorde do seu belo sono, continue dormindo, e não me peça pra ficar, não pertenço mais aqui. Ando por aí sem rumo, durmo em uma cama diferente toda noite, com um homem diferente cada dia, saio antes que o sol nasça. Morro todas as noites, nasço de novo pela manhã. Já caí uma vez, quando tinha 5 anos, quebrei meu queixo, aos 7, quebrei um braço, aos 12 uma perna, mas em todos esses anos, nunca quebrei meu coração. Não sou escrava de mim mesma, desse jeito decidi dar um prazo de validade para tudo, é por isso que meus amores duram uma noite. Não pertenço a ninguém, e ninguém pertence a mim. Sou filha do vento, é ele quem decide meu rumo, soprando ao meu ouvido em que esquina dobrar. Sou amante do sol, e deixo que seus raios me seduzam iluminando o principe que me acompanhará assim que o sol sumir. Sou irmã da lua, que me protege de mim mesma, e me acorda com seu ultimo brilho, avisando que é hora de ir embora. Antes de fechar a porta, olhei novamente para o cara na cama, que sem eu notar havia acordado, e me olhava sorrindo. Ele era meu melhor amigo, desde os 3 anos de idade, foi meu primeiro e único amor. Encontrei o três vezes desde que fui embora de casa, o destino estava brincando  comigo, ele devia ter feito um trato com o vento, para que ele soprasse todas as esquinas em que estaria. Decide que depois de 17 anos, eu daria uma chance com tempo determinado. Ele sabia o quanto duraria, e aceitou. Hesitei antes de fechar a porta, e pensei em voltar para a cama ao seu lado, quando fui tomada pela minha realidade: Meu nome é ninguém, moro na rua em lugar nenhum,  na casa que não existe. Sou feroz, não vivo em cativeiro, vivo em todo lugar, vivo em lugar nenhum. Sorri, e fechei a porta.

Untitled.

Estou pensando, as palavras fogem-me quando tento colocá-las no papel, então simplesmente escrevo, sem esperar que faça sentido algum para alguém, porque sou incrível, quanto mais falo, e mais me ouço falar, menos entendo o que estou dizendo. Não quero pensar, só quero escrever, e deixar que continuem falando, não estou pensando, não vou pensar, chega de tentar, não escondo nada disso, sou tudo e não sou nada, não sei de nada, mas só estou dizendo, porque não faz sentido algum. Quero dormir, fugir daqui, e não acordar, só quero ir pra lá, pro lugar onde eu pertenço, procurar por algo impossível que sacie minha sede insaciável, que me dê às respostas que ninguém mais saberia dar. Quem são vocês ? Quem sou eu ? Eu sou eu, não sei quem sou não faço idéia de quem seja e ninguém me conhece melhor do que eu. Estou perdendo a razão, só quero falar falar falar e falar, nada de pensar, não hoje, senão a realidade me tomara, e me destruirá, porque ninguém vive um sonho. Sou um sonho! Estou toda errada, sei o que é certo, mas não quero, só não quero agora. Nesse momento quero falar, escrever e esperar que quando eu termine faça algum sentido, ou não faça sentido nenhum, na verdade não estou esperando, só continuo escrevendo, porque isso é tudo que sai de mim quando estou em silencio. Sou um barulho ensurdecedor! Meus braços doem, meus dedos doem, mas não quero parar, só quero escrever, talvez eu nem leia, ou talvez leia, e me perca de novo, entre os i’s e e’s e acento e vírgulas, ignoro os pontos finais, eles me dão medo, me aterrorizam mais que qualquer coisa. E esta quente aqui, e preciso parar, mas não quero, mas tenho, mas não quero, mas vou. Parei.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Crushcrushcrush.


Nós somos teimosos, insistimos em prender o que deveria ser solto, soltar o que deveria ser preso, gritar o que deveria ser calado, calar o que deveria ser gritado, e lutar contra o que vem de dentro pra fora, ao invés do que vem de fora pra dentro. Ontem eu fechei os olhos diante de algo maior que a minha própria razão, mas não mais forte do que eu. Eu sabia que poderia, mas insistia em não querer. Em algum ponto da minha vida, eu deixei os meus limites, e comecei a aceitar tudo que algo dentro de mim gritava. Eu me amo demais pra não aceitar todas as minhas vontades acima de qualquer consequência. Se eu quiser perigo, eu me darei perigo, se eu quiser emoção, eu me darei emoção, se eu quiser dor, eu me darei dor, se eu quiser amigos, eu me darei amigos, se eu quiser Amor, eu me darei Amor. Tudo que eu quiser custe o que custar, e as conseqüências que venham com todas as suas veracidades prontas para serem pagas. E eu as pagarei. Eu quero isso, e eu terei isso, se amanhã eu não quiser mais, então se tornará apenas uma das minhas milhões de vontades esquecidas. Eu já fui sufocada, e hoje eu não sufoco mais nada. O que eu quiser eu me permito ter. Que venha tudo, bom ou mal, apenas venha com força, com rapidez, tente dilacerar esse ser humano inquebravel que hoje se permitiu viver absolutamente tudo intensamente.