Being me can only mean
Feeling scared to breathe
And if you leave me then I'll be afraid of everything
That makes me anxious, gives me patience, calms me down
Lets me face this, let me sleep, and when I wake up
Let me breathe
When I wake up I'm afraid
Somebody else might take my place
Feeling scared to breathe
And if you leave me then I'll be afraid of everything
That makes me anxious, gives me patience, calms me down
Lets me face this, let me sleep, and when I wake up
Let me breathe
When I wake up I'm afraid
Somebody else might take my place
Apesar do
muito esforço pra me mostrar indiferente, eu estava adorando ter Harry
passeando apenas de samba canção pelo meu apartamento, completamente
confortável, como se estivesse em casa. A noite estava sendo agradabilíssima,
não havíamos feito nada extraordinário durante o dia, apenas coisas normais do
cotidiano de qualquer casal, exceto que não éramos um. Entretanto, hoje eu poderia fingir que sim, e
eu iria fazer isso.
Ou pelo menos
pretendia, mas o destino tinha outros planos...
Nesse momento
eu me encontrava deitada na cama, vestindo somente a camisa dele, que cobria o
suficiente para eu não precisar vestir nenhuma calcinha. Ele estava em pé, de
costas para mim, falando sobre alguma coisa que eu tinha parado de prestar
atenção, pois havia me perdido na dificílima tarefa de observa-lo mexendo em
minhas coisas, me questionando se aquela curiosidade toda significava algo.
- Você se
importa? - Ele perguntou, apontando em minha direção um álbum de fotografias
que eu tinha guardado junto com alguns livros.
- Não, pode
ver. – Respondi sorrindo, e ele voltou a deitar do meu lado na cama, abrindo meu
álbum de fotos, um dos poucos que eu tinha. Quando mudei de país, tentei trazer
o mínimo de coisas possíveis, para não continuar muito apegada, pois mesmo sendo
algo que sempre sonhei, a mudança foi muito difícil para mim.
- É sua
família? - Perguntou Harry assim que abriu o álbum e se deparou com uma foto da
minha família.
- Sim, esses
são meus pais e meu irmão. - Ele continuou passando as fotos e fazendo
perguntas sobre quem eram as pessoas nas fotografias, onde e quando foram
tiradas e eu respondi todas elas, atenta em tudo que ele comentava a respeito,
até que em determinado momento não me contive e soltei uma gargalhada, pra ele
pareceu que eu estava achando algo engraçado, mas a verdade é que eu só estava
nervosa com a curiosidade repentina dele sobre a minha vida, sonhando para que
aquilo significasse algo bom.
- O que foi? Eu to sendo chato, né? - Ele perguntou meio envergonhado e eu logo tratei de
desmenti-lo.
- Não, claro
que não. Eu só to achando engraçado essa tua curiosidade, de onde surgiu isso? - Perguntei sorrindo, tentando arrancar algo dele.
- Sei lá. – Harry
desviou os olhos dos meus, voltando sua atenção para o álbum de fotos. Agora era
ele quem parecia estar nervoso. – Só
fiquei curioso.
- Muito
curioso né, revirou meu quarto inteiro. – Continuei brincando com ele, adorava
quando ele ficava sem jeito, acontecia raras vezes, mas quando eu descobria
algo que o deixava dessa maneira, eu era incisiva e forçava uma piada ou uma
brincadeira, com a esperança de que ele falasse algo ou fizesse algo que diria
mais do que o pouco ou quase nada que ele me dizia. Não sabia dizer qual de nos
dois era mais retraído na presença um do outro, mas acreditava que, pelo menos
eu, conseguia disfarçar melhor os meus desconfortos.
- E você é
muito chata. – Ele respondeu rindo, fechando meu álbum e colocando-o do seu
lado enquanto me deitava na cama e subia em cima de mim, começando o ataque de
cocegas que eu odiava. Ele sempre fazia isso quando eu insistia em alguma brincadeira
que deixava ele sem jeito.
- Ah, não, por
favor, por favor, não faz. – Em meio a gargalhadas, comecei a implorar para que
ele parasse, mas Harry continuou até que minutos depois meu celular começou a
tocar.
- Salva pelo gongo.
– Ele disse, me soltando e me ajudando a procurar o celular pela cama.
- Deve ser a
Karina. – Falei enquanto levantava da cama, puxando os travesseiros e o cobertor,
que revelaram o celular logo ao lado de Harry. Joguei de volta as coisas na
cama enquanto ele pegava o celular e olhava a tela. Seu semblante antes
sorridente fechou, e então ele esticou o braço pra me entregar o celular.
- Não é a
Karina. – Foi tudo que ele disse. Peguei o celular de sua mão me sentindo
ansiosa e olhei a tela. Era Josh, um cara com quem havia saído algumas vezes
durante esses dois meses em que Harry esteve viajando.
O telefone
continuou tocando em minha mão e eu tive pouquíssimos segundos pra pensar no
que eu faria, se desligaria para evitar qualquer situação desconfortável, ou
atenderia e agiria normalmente. Claro que escolhi a segunda opção, mesmo não
aparentando ser a melhor delas, mas eu queria ver a reação de Harry. Com o coração
acelerado, atendi o telefone e tentei me manter o mais descontraída possível.
- Oi, Josh.
Tudo bem sim. E contigo? - Comecei a andar pelo quarto, evitando olhar pra
Harry, mas sentindo que os olhos me acompanhavam atentamente. Percebendo o
incomodo dele, comecei a forçar um entusiasmo com a ligação de Josh. – Poxa,
hoje não vou poder mesmo, tô bem ocupada, mas a gente pode marcar outro dia
sim. Tá certo, isso, é só ligar. Ok, boa noite, beijão. – E então desliguei o
telefone, não prolonguei a conversa para não abusar, mas sabia que tinha
atingido Harry como eu queria. Botei o telefone na cabeceira e me virei pra
ele, que me olhava sério. Estremeci quando ouvi a voz dele:
-
Aparentemente perdi algumas coisas enquanto estava viajando. Esse Josh é teu namorado? - Em qualquer outro momento, Harry teria ignorado o acontecimento e agido como
se fosse algo completamente irrelevante, mas aparentemente essa viagem tinha
mudado algo nele e eu notei isso desde o momento em que ele entrou cruzou a
porta do meu apartamento, e por isto resolvi abusar da sorte. Contudo, talvez
eu tenha passado um pouquinho dos limites.
- Não, você
sabe que eu não namoro. – Respondi me sentindo muito nervosa, mas tentando não
transparecer isso. Meu coração parecia que ia sair pela boca a qualquer
momento. Eu também poderia ter fingido casualidade e mudado logo de assunto, mas
como ele me pareceu bem mais incomodado do que eu esperava, continuei para ver até
onde ele iria.
- Bom, ele com
certeza não é só seu amigo, o nome dele foi salvo no seu telefone com um
coração e pra ele estar ligando essa hora... – Eu logo entendi o que ele estava
sugerindo. Embora permanecesse imóvel na cama, ele me olhava sério, seu rosto não
demonstrava nenhuma emoção, então eu não sabia muito bem o que pensar da reação
dele, mas o ambiente estava com uma atmosfera tão pesada, que eu sabia que havia
cruzado uma linha sem volta.
- Ele salvou o
nome dele. – E isso foi tudo que eu consegui dizer. Ele fez uma careta e eu
entendi que essa não era a resposta que ele queria.
- Não precisa
mentir, só quero saber se ele é teu namorado? - Me senti extremamente ofendida
com a acusação dele sobre eu estar mentido, e pior, sobre o tipo de pessoa que
ele achava que eu era.
- Não, Harry,
ele não é meu namorado. Se ele fosse, eu não estaria aqui com você. – Respondi
sem me preocupar em ser grosseira, o que
fez com ele fizesse exatamente a mesma coisa. Ele não aumentou o tom de voz
como eu havia feito, mas pude sentir todo seu sarcasmo no que ele disse em
seguida:
-Então vocês
tão só fodendo? - Meu queixo caiu até o chão, eu não conseguia acreditar no que
havia acabado de escutar, e pela expressão no rosto dele, ele também estava
surpreso com o que disse, mas antes que ele se arrependesse, fui tomada pela
raiva e, com o intuito de ofendê-lo da mesma forma, respondi:
- Sim, nós
estamos só fodendo. Igual eu e você estamos só fodendo, a diferença é que ele
não é casado. – Virei de costas pra ele e saí do quarto, torcendo pra que ele
não me seguisse. Eu estava com raiva, mas abandonei o quarto porque não sabia
como seria capaz de continuar aquela conversa. Se eu for realmente honesta,
diria que me senti um pouco vitoriosa sim, de finalmente ter feito ele perder aquele
auto controle maldito que beirava a indiferença e ter demonstrado que se importa.
Mas ele falou comigo de forma tão baixa, que pela primeira vez desde que
tínhamos começado aquilo tudo, eu realmente me senti como a outra. E uma outra bem vagabunda pra ele se sentir
no direito de falar comigo daquela forma. Não sei se eu havia ganhado mais do
que perdido ao induzir essa briguinha.
Fui em direção
a varanda e sentei em uma cadeira, amaldiçoando os quatro cantos da terra pelo
frio horrível que estava fazendo essa noite e eu estava vestindo somente a
blusa do imbecil. Eu sei que eu comecei aquilo, poderia ter evitado a situação,
mas eu estava cansada, cansada de tentar adivinhar o que ele pensava, de tentar
interpretar tudo que ele dizia, de procurar nas entrelinhas o que eu
significava pra ele, e principalmente, cansada de ter que sofrer sozinha. Não
que eu quisesse que ele sofresse, mas eu achava extremamente injusto toda a
situação onde pra mim tudo era muito desconfortável e confuso, enquanto ele
parecia estar sempre vivendo as mil maravilhas tendo o casamento perfeito em
casa e a vagabunda pra ele se divertir quando estivesse entediado. Tudo era muito difícil porque a natureza do
nosso relacionamento - se é que eu poderia chamar esse caso de relacionamento -
era complicada, e o fato de ele ser tão fechado fazia com que eu me fechasse
também e isso levava as coisas a um grau de dificuldade que chegava a ser desgastante.
Fiquei na
varanda por um tempo tentando me acalmar, e pensando nas coisas que eu queria
dizer a ele, sabia que tinha que voltar pro quarto logo, ou ele viria atrás de
mim, e com certeza, essa não era uma conversa que eu queria ter nesse frio
desgraçado. Depois de alguns minutos, já me sentindo mais calma, voltei pra
dentro de casa e fui em direção ao meu quarto, abri a porta e me surpreendi ao
vê-lo vazio, saí e fui até os outros cômodos da casa, procurando Harry. Fui ate
a sala e vi que as malas que ele havia trazido com ele não estavam mais lá.
-Filho da
puta! –Gritei enquanto era tomada pela raiva novamente. Aquilo era pior do que
nossa briguinha ridícula, eu não acredito que ele simplesmente foi embora. Antes
de tudo ele quem estava errado, claro que eu não precisava ter provocado ele
com a ligação de Josh, mas de qualquer maneira, não é como se ele pudesse
exigir algo de mim, ele mesmo atendeu ligação da mulher dele na minha frente
varias vezes, nós não tínhamos nenhum compromisso, nunca nem tínhamos tocado
nesse assunto, e na primeira vez que algo do gênero acontece, ele simplesmente
vai embora? Eu queria conversar, resolver algumas coisas, finalmente falar
sobre a gente ao invés de fingir que está tudo normal e maravilhoso, enquanto
ele nem se importou com nada disso, e simplesmente foi embora. Me senti
extremamente patética ao me dar conta de toda a expectativa que eu botava nisso
e ver que para ele as coisas eram bem irrelevantes. Eu havia mesmo usado a
palavra “relacionamento”? Isso era só um caso, e eu era uma idiota em achar que
era algo além disso.
A tristeza
tomou o lugar da raiva e eu voltei pro meu quarto, pronta pra deitar na minha
cama, e chorar até dormi. Pensei em ligar pra Karina, mas não queria estragar a
noite dela, que com certeza estava melhor que a minha. Fiquei deitada na cama,
imóvel, olhando pro teto e tentando parar os milhões de pensamentos da minha
cabeça, quando senti que ia começar a chorar, ouvi barulho da porta abrindo e
fechando, sentei na cama e esperei Harry entrar no quarto. A maçaneta da porta
rodou e fui surpreendida pela imagem de Karina chorando.
- Eu odeio
ela. – Não precisei que ela me dissesse nada, além disso, pra saber de quem ela
estava falando e o que havia acontecido: - Eu odeio ela. Eu odeio ele. Eu odeio
os dois.
- Poxa, amiga,
tenta se acalmar, me conta o que aconteceu. – Karina fechou a porta do quarto e caminhou
até a cama, sentando do meu lado enquanto tentava engolir o choro e começava a
explicar o que houve. – Não aconteceu nada, amiga. Primeiro eu cheguei na casa
dele e tava me sentindo muito feliz de estar ali, de ele ter tomado a decisão
de me levar ali, e vou te confessar que me bateu um sentimento de vitória, do
tipo “toma Giovanna, eu to na tua casa e ele que me trouxe”, mas quando cheguei
lá, comecei a me sentir estranha, desconfortável, tem fotos dele com ela e o
filho por todo lugar, eu sei que ele notou como eu fiquei porque ele começou a
tentar me distrair, eu vi que ele ficou nervoso e pra evitar que a gente
brigasse, a gente começou a se pegar...
- Claro,
porque isso sempre da certo né, Karina – Interrompi, com ironia, tentando
descontrair, e ela riu levemente.
- Até que deu,
mas depois ele dormiu, ah, esqueci de falar, a gente transou no sofá, não tive
coragem de entrar no quarto deles e ele também não me pareceu confortável com a
ideia... Enfim, depois que ele dormiu, comecei a andar pela casa, olhei tudo,
fui em todos os cômodos e de repente não me senti na casa dele como eu achei
que sentiria, eu me senti na casa dela, ou melhor, na casa deles, literalmente...
E sabe, isso é algo que eu e ele não temos, algo que eu e ele talvez nunca
teremos...
-Não fala
assim, amiga, vocês estão juntos agora e a gente nunca sabe do futuro... – Eu
disse tentando consolar Karina, embora acreditasse fielmente num final feliz.
Conheci Tom na
clinica onde trabalhava, ele foi meu paciente por um período de 6 meses, cerca
de dois meses depois do inicio da terapia, ele conheceu Karina, então eu
acompanhei o inicio do que foi um conflito imenso para ele. quando ele e Karina
finalmente ficaram juntos, eu tive de encerrar a terapia devido os conflitos
éticos que aquilo causava, sem mencionar que acabamos nos tornando muito amigos
também, então para o bem da terapia dele, recomendei-o a outro psicólogo.
Flashback on
Eu tinha que
acordar todos os dias as exatas cinco horas da manha, pois precisava de pelo
menos uma hora pra me arrumar e tomar meu café da manha, assim pegaria o metro
as seis horas e ele levaria cerca de 30 minutos pra me deixar em Londres, onde
eu faria uma caminhada de 15 minutos até a clinica onde eu trabalhava, chegando
lá pouco antes das sete, o horário que ela abriria.
Consegui esse
emprego como um estagio na faculdade Imperial College London onde eu estava
fazendo minha pós-graduação em Psicologia Clinica. Foram oferecidas duas vagas
a minha faculdade onde eu me saí muito bem na prova de seleção e fui chamada
para trabalhar no Hospital de St. Mary. Embora fosse um estagio, pagava muito
bem e eu tinha esperanças de que futuramente pudesse ser contratada como
funcionaria, pois modéstia a parte, eu estava me saindo muito bem até o
momento, tão bem que eu - que sempre havia chegado atrasada nos lugares - era
uma das primeiras a chegar. E digo uma das primeiras porque havia sempre um
paciente que chegava praticamente na mesma hora que eu. Ele devia sofrer de ansiedade,
no mínimo.
- Bom dia,
Doutora – Ele disse assim que me aproximei da entrada do hospital, que estava
fechado, pois o funcionário responsável por abri-la ainda não havia chegado.
- Bom dia. –
Respondi saudosa, me sentindo emocionada por ele ter me chamado de doutora.
Confesso que eu usava o jaleco por puro status, não precisava chegar com ele no
hospital, mas assim eu me sentia mais importante. – E ah, fora do hospital eu
sou só Amanda.
- Muito
prazer, Amanda. Eu me chamo Thomas Fletcher, mas pode me chamar de Tom. – Ele
estendeu a mão para me cumprimentar. Ah, como se eu não soubesse quem ele era,
mas fingi casualidade, como se ele fosse um desconhecido.
- Muito prazer,
Tom. Você esta um pouco adiantado, não? – Perguntei no que eu considerava ser
um tom educado.
- Estou, mas é
porque tive um compromisso mais cedo e decidi vir direto pra cá, para não
correr o risco de atrasar. Melhor estar adiantado que atrasado, não ?
- Nenhum dos
dois, o melhor mesmo é estar na hora certinha. Tempo é tudo, Tom. – Eu falei olhando diretamente pro seu rosto.
Meses depois ele me contou que foi devido esta minha resposta que ele pediu a
direção do hospital, sobre o pretexto de uma ótima indicação de seu antigo
psicólogo, para ser meu paciente. Tom abriu um sorriso largo em resposta ao que
eu havia acabado de dizer, e em seguida perguntou:
- Eu te
conheço? Tenho a impressão de que nos conhecemos. – Nesse momento eu quis rir,
e lhe dar alguma resposta enigmática, mas decidi manter a casualidade:
- Isso é bem
improvável, eu me mudei para Inglaterra há apenas alguns meses, e na verdade
moro em Chichester.
- E você vem a Londres todos os dias? - Ele me
perguntou, parecendo surpreso.
- Sim,
trabalho aqui pela parte da manha e faço pós-graduação no Imperial College
London a tarde, a noite volto para Chichester.
- Deve ser
cansativo essa viagem de ida e volta todos os dias.
- Um pouco,
mas a verdade é que gosto bastante de morar em lá , e trabalhar e
estudar aqui em Londres também, então não me importo muito. – Nesse momento Tom
forçava as sobrancelhas, me olhando de uma forma bem estranha.
- Tem certeza
que não nos conhecemos? - Ele insistiu na pergunta de um milhão de dólares.
- Eu realmente
acho improvável, mas quem sabe... – Dessa vez tive de rir, e antes que
continuássemos a conversa, fomos interrompidos pelo funcionário que chegou com
as chaves do hospital.
- Bom, foi um
prazer conhecer você, Tom. Quem sabe não nos esbarramos pelos corredores. – Eu
disse estendendo a mão, a qual ele apertou, ainda parecendo um pouco
desconfiado.
- Também foi
um prazer, Amanda. Bom trabalho. - Ele segurou minha mão e sorriu educadamente,
entramos no hospital e tomamos caminhos diferentes. Pensei imediatamente em
enviar uma mensagem para Karina, mas preferi contar a novidade pessoalmente,
queria muito ver a cara dela.
Flashback off
- Tu ta prestando atenção, mana? - Karina me deu uma sacudida e só então percebi que ela continuava falando
enquanto eu me perdi em lembranças.
- Desculpa
amiga, me perdi, mas porque tava lembrando de como o Tom tava quando te
conheceu, e eu te digo: eu acompanhei isso melhor do que ninguém, porque como
terapeuta dele, eu sabia de coisas sobre ele
que ele não admitia pra si mesmo, e te digo: ele ama você, mais do que
isso, ele é completamente louco por você. Literalmente louco. – Falei olhando
bem nos olhos dela.
- Eu sei
disso, amiga. Eu sei que ele me ama. O problema é que ele ama ela também. E eu
sei que isso é muito egoísta de se dizer, mas eu sou assim e pronto, e eu sei
que tu me entende.
- Sim, amiga,
entendo você e entendo seu egoísmo, ele é mais do que natural. Ninguém quer
dividir um lugar no coração de alguém com outra pessoa. – Ela estava certa, eu
a entendia, entendia o que sentia, entendia o problema, e entendia,
principalmente, que não havia muito o que se fazer naquela situação. – Mas
amiga... –Resolvi continuar e dizer o que ela não iria querer ouvir, mas
precisava ser dito: - Isso é algo que não ha nada que se possa fazer, além de
evitar essas situações onde tu só vai se sentir mal por algo que não é nenhuma novidade.
Tu já sabia que seria assim quando tu quis ficar com ele...
- Sabia, o que
não significa que seja fácil. – Ela me interrompeu.
- Mas que também não significa que você tenha que dificultar. – Ela fez menção de
dizer algo, mas desistiu, sabia que eu estava certa. Então resolvi continuar
falando, antes que sua teimosia tomasse o controle: - Tu saiu de lá no meio da
noite, agora vai ter que explicar pra ele o motivo disso. Sugiro que vocês
tenham uma conversa real e imponham certos limites, ou melhor, que tu bote
certos limites pra ti e não se sujeite a situações que tu sabe que não vão te
trazer nada de bom. Eu sei que tu ama o
Tom e que é difícil, mas em certos momentos, a gente tem que ser racional. Tu
tens que impor tua vontade e fazer o que é melhor pra ti.
- Falou aquela
que deixa o Harry decidir tudo, não reclama de nada e finge que esta tudo indo
muito bem... – Disse Karina, contrariada, e eu sabia que esse era o jeito dela
de confirmar que eu estava certa no que havia falado, mas sem me deixar esquecer
que eu cometia os mesmos erros que ela. Ridícula.
- Ei fera,
estamos falando de você, não joga pesado assim não. – Falei rindo, e ela riu também, para em
seguida tocar no assunto que eu estava pensando a noite inteira.
- Mas sim, o
que aconteceu com vocês? Encontrei com ele na saída do prédio, carregando as malas
com uma cara de puto.
-
Mentiraaaaa!!! O que ele falou? - Perguntei agoniada pra saber o que ele disse.
Harry e Karina eram muito amigos, e embora ele fosse muito fechado em dizer
qualquer coisa relacionada a mim, eu sabia que ele pelo menos comentaria algo.
- Mana, a
gente se esbarrou porque ele saiu apressado e puto, e eu tava chegando apressada
e chorando, aí perguntei dele o que aconteceu e porque ele tava indo embora daquele
jeito, aí ele só disse “a gente brigou. E tu? Porque ta chorando?” mas aí eu
nem respondi, só perguntei se ele tinha se despedido de ti né, porque eu sei
que se ele tivesse saindo escondido a treta ia ser muito maior. Aí ele disse
que não, que “só saí”, aí eu imaginei como tu ia ficar puta quando visse que
ele foi embora e como eu já estava com ranso do Tom, descontei nele e falei
“vocês são todos uns filhos da puta”. – Eu caí na gargalhando imaginando a
cena, que deve ter sido tensa porém extremamente engraçada. Karina riu junto,
confirmando minha suspeita.
- Ele deve ter
ficado muito confuso. – Falei, ainda rindo.
- Mana, ficou
mesmo, fez uma cara de idiota. Eu virei e fui embora. Mas sim, quero saber o
motivo da briga porque ele tava putasso, nunca tinha visto o Harry assim.
Inclusive, primeira briga de vocês, ai amiga, quase fico emocionada, parabéns,
vocês são oficialmente um casal, real. – Nós rimos juntas e eu comecei a contar
o desenrolar da nossa mini briga, interrompida pela fuga de Harry no meio da
noite.
Nós ficamos
conversando por um bom tempo, depois resolvemos assistir um filme de comedia
brasileiro, denunciando nossa saudade de casa, muito compreensível depois
daquela noite trágica para nós duas. Karina acabou adormecendo no inicio do
filme, e como eu haveria de trabalhar daqui há 3 horas, resolvi tentar dormir
um pouco também. Não acordei Karina para manda-la pro seu quarto porque sabia
que essa noite ela não ia querer dormir sozinha, e honestamente, eu também não.
Quando apaguei as luzes e deitei na cama, peguei o celular para ativar o alarme
e confirmar o que eu já esperava: nenhuma ligação de Harry. Senti saudades de
casa e soltei um risinho sarcástico, lembrando de como eu achava as coisas
complicadas na época, sem saber que agora elas tomariam proporções drásticas.
Agora a situação exigia muito
mais do que somente paciência.

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